• Melisa Murialdo

Em 2020 faleceram 80 pessoas por dia como consequência de acidente de trânsito no país


Transito Av. Paulitsta - São Paulo/SP
Transito Av. Paulitsta - São Paulo/SP

Apesar da redução do tráfego, durante 2020 cerca de 30.000 pessoas morreram em acidentes de trânsito. Brasil continua abaixo da meta de redução de acidentes fatais

O Brasil registrou 29.396 indenizações pagas por acidentes de trânsito com vítimas fatais entre janeiro e dezembro deste ano. De acordo com os dados fornecidos pelo Seguro DPVAT, no mês de outubro, as solicitações de indenização por morte aumentaram em 8%. Ao somar as lesões, o número sobe a 230 mil indenizações pagas durante 2020. O país está entre os 10 primeiros com maior número de mortes causadas por acidentes nas ruas, estradas e rodovias.


O Brasil é um dos membros comprometidos com a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011- 2020 para reduzir em 50% as mortes em acidentes de trânsito para o fim deste ano. De acordo com Ministério da Saúde, o país acompanha de maneira efetiva as intenções do acordo desde 2015, quando as mortes por acidentes de trânsito começaram a reduzir. Em 2020, os valores mostraram inicialmente uma tendência de alta e, embora tenham caído o número de vítimas fatais no momento de maior distanciamento social, em setembro voltaram a aumentar.



Em números relativos, quando começou o projeto no ano 2011, morreram no tráfico 24 pessoas por cada 100 mil habitantes. Conforme o estabelecido se espera que a taxa baixe pela metade. Com base nas projeções atuais para o final do ano a taxa de mortalidade seria de 14 óbitos cada 100 mil habitantes, não chegando à meta fixada, ainda considerando a diminuição da circulação a causa do COVID-19.


Causa de acidentes


Em 2019, dezembro foi o mês com maior número de acidentes de trânsito. Este ano, o verão será diferente devido a pandemia, no entanto as cifras mostram que é importante tomar precauções já que, até agora em 2020, a cada 7 minutos uma pessoa é vítima de um acidente em alguma estrada do país e estatisticamente as mortes no verão superam a média anual.

A imprudência dos motoristas causa aproximadamente 90% dos acidentes em todo o mundo e o Brasil não é estranho às estatísticas.

No que diz respeito às causas dos acidentes rodoviários, os dados até outubro de 2020 da Polícia Rodoviária Federal indicam que a mais comum é a falta de atenção seguida pela desobediência às regras de trânsito, velocidade incompatível e consumo de álcool. Também os defeitos mecânicos dos veículos e o desrespeito às distâncias de segurança. Se bem que parte dos acidentes são evitáveis com melhores pavimentos, rodovias e sinalização, a verdade é que estas causas estão entre as menos frequentes e é por esta razão que se insiste nos bons hábitos ao dirigir.

A maioria dos acidentes registrados nas estradas brasileiras nos últimos anos teve como causa principal ou secundária problemas relacionados com o estado de saúde dos motoristas no momento do sinistro. A saúde do motorista é um aspecto que deve ser considerado no âmbito de políticas públicas que visam reduzir os indicadores e reforçar o incentivo à realização periódica do Exame de Aptidão Física e Mental por parte do motorista, mecanismo considerado determinante para redução da mortalidade no trânsito. Pequenas mudanças de comportamento podem ter um impacto significativo nas vidas dos brasileiros e evitar tragédias desnecessárias.


Perfil das Vítimas fatais


8 de cada 10 pessoas que morreram em acidentes de trânsito no Brasil são homens. O condutor do veículo é o que mais sofre as consequências, seguido pelo pedestre e por último o passageiro. Dos motoristas envolvidos em acidentes, 90% são motociclistas.

As mortes com motos aumentaram de maneira constante desde 2009, superando as de automóveis.

70% das vítimas são jovens entre 18 e 34 anos. A metade das vítimas, tanto de óbitos quanto de lesões permanentes, produto de acidentes de trânsito no país, têm entre 25 e 44 anos.

Entre os tipos de vítimas, os motoristas seguem em primeiro lugar, representando 59% do total de indenizações pagas no mês. Seguem pedestres (29%) e passageiros (12%). Entre os veículos, as motocicletas disparam na frente, com 79% dos pagamentos, seguida pelos automóveis, com 15% do total.

No Brasil, os que mais tem probabilidades de morrer em um acidente de trânsito são os homens jovens, condutores de motocicletas.

Estados mais afetados


Quanto aos estados mais afetados por esta situação, os dados estimados para 2020 coincidem com os registros nos respectivos hospitais durante o ano de 2019 e indicam que as unidades federativas com mais casos por cada 100 mil habitantes são Mato Grosso e Tocantins.


  1. Tocantins

  2. Mato Grosso

  3. Piauí

  4. Mato Grosso do Sul

  5. Rondônia

  6. Paraná

  7. Goiás

  8. Santa Catarina

  9. Roraima

  10. Paraíba


No outro extremo se encontram Rio de Janeiro, Amapá e São Paulo.

  1. Rio de Janeiro

  2. Amapá

  3. São Paulo

  4. Distrito Federal

  5. Amazonas


Em quantidades absolutas, 50% dos óbitos de todo o país estão concentrados somente em 6 unidades federativas:

  1. São Paulo

  2. Minas Gerais

  3. Paraná

  4. Rio de Janeiro

  5. Bahia

  6. Ceará

Somente em 4 vão aumentar os óbitos durante o ano 2020 (Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul).

A grande surpresa vem do Norte: a redução mais significativa que ocorreu neste ano corresponde ao Acre.

Acidentes de trânsito antes e durante da pandemia pelo Coronavírus


Os acidentes de trânsito figuram como a segunda maior causa externa de morte no Brasil

De janeiro a março de 2020, antes da implementação das medidas de isolamento no país, o Brasil registrou 89.028 acidentes de trânsito. Houve 14.3 mil registros a mais que no mesmo período de 2019 (74.699).

Durante os meses de menor circulação da população pelas medidas tomadas, os acidentes diminuíram 13%. Uma tendência que se inverteu apenas começou as flexibilizações. Se estimam 29.396 indenizações por mortes para o final do ano, isto implica uma redução de 19% somente com respeito a 2019.

Apesar da redução dos acidentes, o Brasil segue registrando uma média anual de 30.000 óbitos causados por acidentes. Isto implica que umas 80 pessoas morrem por dia no Brasil como consequência de um acidente de trânsito, refletindo o alto grau de violência no trânsito brasileiro, considerado atualmente um dos mais perigosos do mundo, levando uma pessoa a cada 15 segundos.

Com o final da década, o Brasil conseguiu reduzir em 30% os acidentes, segundo os dados do DataSUS, passaram de 43.256 a 30.371 mortes neste período. No entanto, o cenário não é promissor: o Brasil continua registrando uma média de mortes por acidente acima da meta estabelecida pela Década de Ação pela Segurança no Trânsito das Nações Unidas (ONU) e se estima que 143 mil pessoas ficarão inválidas para o final deste ano. A epidemia de acidentes de trânsito no Brasil ocupa 60% das camas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 50% das cirurgias de emergência no Sistema Único de Saúde (SUS).

Para além dos graves efeitos psicológicos sobre a vítima e sua família, os acidentes também implicam um enorme gasto para nossas finanças pessoais e repercutem na economia nacional e na Segurança Social. Cada morte no trânsito custa para o Estado R$ 785 mil.

Segundo a analista Melisa Murialdo, apesar de ser uma consequência” boa” do Coronavírus a redução da sinistralidade no trânsito ao longo do 2020, combater e garantir medidas de prevenção pertinentes deve continuar sendo um dos principais focos do Ministério de Segurança e Saúde, porque está associada mais a um problema conjuntural de grande magnitude global e não a uma mudança de atitude da sociedade em seu conjunto consequente de seguir as diretrizes estabelecidas pela ONU e OMS há uma década.

 

Autora: Melisa Murialdo

Redatora / Editora de Conteúdos

Contadora Analista Região da América Latina


Esclarecimento no contexto da autora: todas as previsões a respeito dos impactos do Corona vírus contêm um alto grau de incerteza por que ainda não se conhece quanto mais durará a crise sanitária nem quais seriam as consequências finais na economia mundial.

 

Fontes: Sistema Único de Saúde (DataSUS), Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Organização das Nações Unidas (ONU), Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Infraestrutura, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA),Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (RENAEST), Portal do Trânsito, O Melhor Trato, Seguradora Líder, Infosiga SP, Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo, Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Policia Rodoviária Federal, Associação Nacional dos Detrans (AND), Observatório Nacional de Segurança Viária, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

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