• Melisa Murialdo

Com a pandemia do Coronavírus, as vendas de veículos diminuem, mas os roubos e furtos de carros não


Roubo de carros no Brasil

Roubos e furtos de veículos aumentam apesar de quarentena. Os roubos de carros representam mais de 70% dos atos criminosos no Brasil.


Apesar da redução dos índices de criminalidade, a incidência dos roubos e furtos de veículos sobre o total de crimes se manteve estável nos últimos cinco anos.


Segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública, nos primeiros três meses do 2020 os roubos e furtos de automóveis somaram 97.767, valor que representa um 73,6% do total de crimes. No mesmo período do ano passado, a soma representava 74,2%, embora o pico tenha sido registrado no ano 2016 com 77% dos delitos correspondentes a este tipo. Os roubos de carros estão diminuindo de forma sustentada nos últimos anos como muitos dos outros crimes, más nenhuma outra categoria têm tanta incidência como esta que representa quase três quartos do total, constituindo um dos pontos mais quentes e o foco de alguma políticas de segurança como a “Lei do desmanche”.


Entre 2015 e 2019, a média anual de carros roubados foi de 523.000, isso significa que tem um roubo de carro por minuto, aproximadamente. Os números variam bastante no território, mas os três estados com maior incidência em 2019 foram Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo com 380, 321 e 284 fatos por cada 100.000 habitantes, respectivamente. Nos últimos três lugares se posicionam Pará, Maranhão e Paraíba com 87, 82 e 71 roubos por cada 100.000 habitantes respectivamente.


Roubos e Furtos de veículos por unidade da federação

Quais são os carros mais roubados de 2020?


Carros mais roubados de 2020
Carros mais roubados de 2020
Carros mais roubados de 2020
Carros mais roubados de 2020

Por que é tão generalizado o roubo de carros no Brasil?


Uma grande parte dos veículos roubados terminam em oficina de sucata clandestinas que vendem suas peças. Segundo Marcos Carneiro de Lima, ex-delegado geral da Polícia Civil de São Paulo, os criminosos desta região costumam utilizar caminhões-cegonha para transportar os veículos roubados até o estado de Paraná. Ali são preparados para ser comercializados ou são levados para o Paraguai através da fronteira que compartilham ambos territórios. O funcionário admitiu que, apesar dos avanços tecnológicos em segurança veicular, ainda não foi possível impedir a atuação destas quadrilhas especializadas.


No Rio Grande do Sul, o Departamento de Estado estima que o comércio ilegal de autopeças seja cinco vezes mais grande do que o legal, com cerca de 1.500 desmanches de veículos clandestinos contra 300 que estão em regra. A Operação Desmanche do Rio Grande do Sul, coordenada pelo Departamento de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, indica que desde o início dos operativos, em fevereiro de 2016, foram proibidos 139 estabelecimentos irregulares e apreendidas cerca de 7 mil toneladas de sucata no estado.


Este estado é um dos três que lideram a aplicação da Lei do desmanche, sancionada há 6 anos com o objetivo de reduzir o comércio ilegal de autopeças.


A lei estabelece que os Departamentos de Trânsito dos estados devem controlar os desmanches de veículos nos seus territórios. As sucatas devem emitir uma nota fiscal por cada carro adquirido e somente com a autorização deste órgão podem começar a desmanchar o veículo. Feito isto, as peças são colocadas no banco de dados para obter um código de identificação. Todas as peças devem conter uma etiqueta com o nome, o número de seguimento e o código de barras correspondente que permita rastrear a origem dela e que o cliente não adquira peças do mercado ilegal.


São Paulo e Minas Gerais são os outros estados pioneiros na aplicação da lei. Desde a sanção, em São Paulo foram fechadas 996 operações ilegais de desmantelamento em diferentes cidades e em Minas Gerais foi lançado uma megaoperação em 140 cidades do estado, no final do ano passado, para detectar os negócios clandestinos.


Um problema difícil


Um dos pontos fracos da “Lei do desmanche” é o de considerar somente os negócios e deixar de lado o comércio entre pessoas físicas. Isto faz com que os produtos publicados em plataformas de venda on-line não devam cumprir com a regulamentação e rotulagem das peças. O comércio ilegal permite o acesso aos produtos por um preço muito inferior ao do mercado formal e nas plataformas de e-commerce podem ser encontradas autopeças pela metade ou um terço do preço que oferecem os comércios legais. Estas plataformas, também tornam muito fácil a tarefa de disfarçar a ilegalidade, basta com usar imagens que pareçam profissionais e se comunicar de forma correta para seduzir e enganar os consumidores. Por este motivo, os meios e o governo insistem na responsabilidade dos consumidores na hora de comprar estes produtos. É bom verificar que aquilo que se está comprando tem uma origem lícita.


Os brasileiros utilizam diversas estratégias para se proteger desses delitos. Desde escolher seguros de carros com amplas coberturas e usar sistemas de rastreamento veicular até tomar extremos cuidados na hora de dirigir pelas zonas perigosas, não frear nas zonas muito tranquilas ou estacionar o carro em locais lotados e bem iluminados para evitar situações que ponham em risco a segurança dos seus carros e das suas próprias vidas.


Delitos no Brasil

Apesar de que em ambas modalidades atacam a propriedade de terceiros, nos roubos se faz uso da violência ou da intimidação, e nos furtos não. Por isso, é um alivio que a percentagem que representam os roubos sobre o total de ataques contra veículos diminuiu 5 pontos em 2019 em relação ao ano anterior. Enquanto que no 2018, 51% foram furtos e 49% foram roubos, em 2019, 55% foram furtos e 45% roubos. Embora, se não baixar essas percentagens, o impacto sobre as taxas de violência no país poderia ser considerável.


Furtos vs Roubos de veículos Brasil

A complexidade da atuação dessas quadrilhas criminosas especializadas em desmontar e vender autopeças parece indicar que, apesar dos esforços dos últimos anos, o roubo de veículos continuará sendo um dos principais desafios da segurança pública do país.



Editora: Melisa Murialdo

Editora e Redatora de Conteúdos para a América Latina | Contador Público


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